segunda-feira, 1 de março de 2010

poluições devastas...

eis aqui, como sempre, o que resta: 
esta fria companhia tão conhecida...
nem olho mais para o espelho, cansei desse pálido reflexo
que há muito tempo segue meus passos... 
preciso matar esse mútuo silêncio com um abraço...
lindo rosto amargo, olhos tristes, cheias lágrimas: 
quais braços estarão abertos, Palhaço Infeliz? 
qual templo responderá aos seus anseios que classifica doce? 
(se enquanto o amargo solitário te prende...?
... não compreendo!)


oh vida, como tu me surpreende!
quando volto a minha casa, e logo as paredes me apertam... 
os sonhos viram abraços aos travesseiros
me reviro de dores que antes não perturbavam tanto... 
e espero... até que sinto descer então meu pranto!


aquele otimismo, quase-morto, sussurra: 
-calma... Isso é por enquanto.
desespero, desespero... até quando?
e o otimismo quase-morto insiste: 
-a Mãe Lua está cheia! e brilha!  orai, Sua luz brilhará também por ti!


ei, otimismo:
se ainda insistes...  
 será o que de mim no por vir?
não quero mais estar assim aqui.
não preciso da vastidão, que em nada me aquece...
ainda mais agora, que está partindo o verão...


olá peito:
afogo-me... nas próprias projeções, 
sonhos, da mesma boba criança que fui
e que insiste em teimar,
em viver nesse corpo, 
-cheio de pura desesperança!




-e então seguirei essa minha nova:
orarei a Lua Cheia que brilha nesta noite,
para que não abandone essa hipócrita e platônica pessoa
que não aguenta mais
essa maldita solidão em temperança...  

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