quinta-feira, 2 de setembro de 2010
I - Cresce (mais...)
Lua Crescente
Cresce, fecha o ciclo
Novamente.
Mais um tempo tento
E fica para a história
Todo aquele tormento!
Hoje, durmo mais velho
Em tudo, alma e corpo
Até o reflexo no espelho!
Viro-me a noite na cama
Não mais de insônia
Já aceitei que ninguém me ama...
Agora, mais uma daquela esperança:
De encontrar o meu lugar,
Voltar a sorrir e ser criança!
Meus desejos são puros - e vãos;
Lamentável a morte dessa flor,
Que estava em suas mãos...
O meu Sol nascerá novamente
E durmo sonhando, esperando
Aquilo que me refaça sorridente.
II - Preencher (o vácuo)
Meus dias passam num ritmo estranho,
Ora rápido, mas sempre vagarando...
Sou a incógnita humana andando...
Sem rumos, ou o que contar.
Não estou sozinho: há boas pessoas comigo
Mas a solidão interna é bem mais conflito!
Observo... , ouço... vejo em distância mesmo na ausência.
Crio-me como um monstro... e me divirto!
Distinta idéia a minha,
Eu não soprei as velas...
Sozinho, desapego-me, abolicionismo!
Outra dimensão/prioridade, querido...
''Oro a Ti, ó Lua que agora se enche
Tira esse meu vazio, me preenche.
Brilha por mim, sou filho de Apolo,
Peço de grande coração: -Ilumina meu Solo!''
Deito-me sempre na esperança...
Disfarço o que posso, temperança!
Procurarei atento, - estou certo - vou achar!
E tudo aquilo que me ilude, já não quero mais sonhar...!
III - Cheio (revera)
Há tempos não descanso
E meus pés doem...
Fiquei forte, insisti!
Meu corpo está cansado
Hoje me sinto o mesmo
O olhos inchados
Uma força interna
Luto pelos objetivos!
Mas preciso dormir...
As lágrimas descem sem fim...
Meu coração está podre.
IV - Quarto (nele)
Sufoco, desacredito, corro...
Sem muita alegria, foda-se!
Se não importa-se, com sua licença.
Sairei mundo afora, sem tua presença!
Serei mais sólido a partir do agora,
Sabendo que seu lugar foi encontrado.
Sonhando eu agora em desaparecer,
Sem um pingo de você... tolo eu!
(...)
(*não desejo mais nada das outras linhas que escrevi deste.)
V - Auge
E sei que essas forças rodeiam...
Vejo o quão forte deve ser,
Lutei em sonho, molhei todo meu corpo,
Mas não quero mais você...
Vem uma voz dizendo:
-Elimine-o! - e eu me joguei no chão...
Cai da cama, mas sequer me movi.
Muito me espanta o motivo...
Cortou minha respiração,
Minha voz não saía - e eu gritava...
Gritei o quanto pude - e despertei
Assustei do riso da desgraça!
Mentira parece, não foi pesadelo.
Nem projeção - não saí do cômodo.
E em poucos minutos de sono,
Quase perco minha noite toda...
Final ou fusão, por favor!
Estou me acabando, chega!
Minha memória está apagando...
Enquanto os outros, acham graça!
E insisto em repetir:
Vejo o quão forte deve ser,
Lutei em sonho, molhei todo meu corpo,
Mas não quero mais você...
VI - Ciclo (Círculo)
Parei, vazio, torto, calejado.
Olhei e uma surpresa: Fiquei chocado!
Ele tem aquela mesma beleza...!
-O que dirás? - eu disse quando o cruzei.
Olhei e outra surpresa: -És o mesmo, eu sei!
Tu não mudastes, mesma beleza...!
Observando eu, você não teve reação.
Surpreendi-me: sua energia, ATRAÇÃO!
O mesmo olhar, aquele seu coração...!
Depois de tanto tempo, disfarço.
Ouço os ventos, escrevo, te traço!
E nenhum eco volta, ao menos, eu faço...!
Lanço-me desafiadoramente à luz da Lua Cheia.
Que em questão de momentos, semeia!
A dupla que há tempos deseja, ciclo: -Semeia...!
VII - Natural Solidão
A quem importa? Me diga!
Se há pouco fiquei cego?
Se isso tudo me intriga?
Novamente perdi meu ego?
Quem importa, se eu me importo?
Quem, pra minha importância liga?
Estou solitário tentando ser morto
Ouvindo o roer da minha barriga...
Quem? QUEM liga...?
"O espírito grita, e ecoa!
A noiva diz alto: -Vem, vem!
As pragas sugam sempre,
E logo a solidão solicita friamente:
-Ou finda-se, ou funde-se!
A confusão,
solidão,
o calor,
o som das águas,
os mosquitos,
e todo desaforo, faz eu escrever emblemas tolices de um palhaço infeliz!
Quem? QUEM liga...?
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